domingo, 21 de novembro de 2010

É o triste fado lusitano...

[caption id="attachment_663" align="aligncenter" width="300" caption="Cimeira da NATO 2010"]Cimeira da NATO 2010[/caption]

“Lá está aquele deputado a dizer asneira outra vez”, “É só ladrões na política”, “Este guarda-redes é um frangueiro”, “Esse comentador é um nenhum que não diz nada e só gosta de aparecer”... Tudo isto é triste, tudo isto existe, tudo isto é fado, já dizia o fado, lá está.

Quem nunca ouviu e até mesmo proferiu estas frases? E na hora da verdade, quem assumiu a posição? Um exemplo simples: numa qualquer arruada política de campanha, quantos de nós são capazes de assumir o descontentamento com o político e questão e quem esquece tudo e dá um belo de um 'bacalhau' para poder mais tarde dizer orgulhosamente “eu apertei a mão a fulano de tal”?

Pois é... são coisas tão simples como estas que fazem com que o português se resigne ao seu triste fado lusitano de sofredor. Não é preciso um tumulto como em França facilmente se faz, bastava não ceder à tentação do superficial, a tentação da ribalta fugaz.

Sinto-me envergonhado por ver que estes actos fúteis, típicos de pessoas simples, chega à comunicação social. Repare-se na cimeira da Nato que decorreu em Portugal este fim de semana: o que se discutiu? O que foi decidido? Alguém sabe? Alguém ouviu? Mas aposto que a maioria sabe quantos andares tem o AirForce1 ou como é a limusina do Obama!

É triste ver que a noticia-resumo da SIC sobre a cimeira da Nato (ver minuto 17) seja feita com base em fotografias-prémio dos jornalistas com a limusina do Obama como fundo...
Vítor Silva

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