O dilema do prisioneiro é um clássico da teoria do jogos. O
problema baseia-se na detenção de dois companheiros de crime que são
interrogado em salas separadas. Os polícias preparam interrogatórios separados
em que os dois criminosos não podem comunicar um com o outro. A ambos os infratores
é proposto um acordo para conseguir a denuncia do companheiro. Caso apenas um
deles denunciar o outro, o que cedeu ao acordo da polícia sai em liberdade e o
outro apanha 10 anos de cadeia. Caso ambos se denunciem apanham cada um 5 anos
de cadeia e caso nenhum ceda à pressão da polícia ambos apanham apenas 6 meses
de prisão. Este problema é abundantemente aplicado na área económica em
situações onde há vários jogadores que atuam em simultâneo sem saber o que os
adversários vão jogar.
Há pouco ouvi na TV
uma frase interessante: “São os consumidores que criam empregos e não os ricos”.
Esta afirmação seguida da polémica sobre o aumento ou não do salário mínimo e o
resultado foi a recordação deste dilema. Se é verdade que uma empresa só vende
se houver clientes a comprar, também é verdade que esses clientes só podem
comprar se tiverem dinheiro, dinheiro que ganham a trabalhar. A questão aqui é:
se uma empresa aumentar os salários dos colaboradores, ele vão poder consumir
mais, mas não obrigatoriamente na sua empresa, logo, tal como no dilema do
prisioneiro, o melhor cenário é aquele em que todas as empresas sacrificam a
sua margem de lucro para aumentar salários e mais tarde ganhar com o volume de
vendas. No entanto, como o ser humano é egoísta por natureza, raro é o
empresário que aumenta os salários dos colaboradores para melhorar o desempenho
da economia. Assim sendo, não seria proveitoso o Estado incentivar o aumento do
consumo pelo aumento dos salários?
Muito bom, este texto.
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