sábado, 5 de novembro de 2011
Responsabilizar os decisores (contra-resposta)
Foi enviada a contra-resposta seguinte ao comentário que Bloco de Esquerda retornou por e-mail ( e que também segue abaixo.
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Bom dia cara Sofia Roque.
Desde já agradeço a resposta, principalmente porque, após duas semanas, foi a única pessoa que me respondeu, possivelmente que leu o meu e-mail.
Compreendo que, infelizmente, os políticos tenham carta branca para durante 4 anos fazerem o que quiserem, até ser necessário renovar a 'licença' à custa de uma elevada abstenção, de uma partidarismo quase futebolístico (em especial junto das camadas mais velhas da população) e do aproveitamento por parte dos políticos das pessoas mentalmente mais frágeis que se derretem quando apertam a mão de uma cara da TV numa qualquer feira ou mercado.
Diga-me quais as ferramentas ao dispor do comum dos eleitores para
se fazer ouvir, como quais as leis que regem o serviço político e ações que podem ser tomadas, como propor algo na AR mediante a recolha de um número elevado de assinaturas (penso que isto existe).
Gostei do seu discurso abaixo contra o bipartidarismo, mas esse discurso não me convence, mesmo os partidos de esquerda estão a colaborar para o sistema instalado. Não há um bipartidarismo quando todos fazem o mesmo, independentemente de,em especial a esquerda partidária, constantemente propor alternativas que ou não são viáveis (mas 'vendem' bem na TV) ou são boas propostas, mas na hora de realmente avançar fica tudo na mesma.
Deixo-lhe uma sugestão (que salvo erro já enviei no passado para aí) que pode ao mesmo tempo aumentar a responsabilização dos políticos e acabar com muitos 'tachos': porque não propor a alteração do sistema de eleição deixando de ser por listas propostas pelos partidos e passando a ser individual para cada deputado, à semelhança do que acontece (se não me engano) em Inglaterra? Continuava a haver uma constituição partidária no parlamento, mas as pessoas que lá estão não foram indicadas por uma máquina política que blinda a entrada de novas ideias que possam por em causa o mecanismo, mas passam a ser eleitas diretamente pelas pessoas.
Para isto é preciso mudar a mentalidade das pessoas? Claro que sim, é preciso deixar de enganar os eleitores: em eleições legislativas (atenção que este processo é interessante em todo o espectro político, desde juntas de freguesia até à AR) não se vota no líder do partidos ou no próximo 1º ministro, vota-se na composição do parlamento.
Agradeço então que me indique os regulamentos que regem a vida política e o que pode o eleitor comum fazer.
Mais uma vez agradeço a resposta.
Cumprimentos,
Vítor Silva
NOTA: Da mesma forma informo que esta é uma carta aberta publicada em http://etujapensaste.blogspot.com/ e enviado às seguintes entidades:
Grupo Parlamentar do Partido Social Democrata (gp_psd@psd.parlamento.pt)
Grupo Parlamentar do Partido Socialista (gp_ps@ps.parlamento.pt)
Grupo Parlamentar do Partido Popular (gp_pp@pp.parlamento.pt)
Grupo Parlamentar do Partido do Bloco de Esquerda (bloco.esquerda@be.parlamento.pt)
Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português (gp_pcp@pcp.parlamento.pt)
Grupo Parlamentar do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV.Correio@pev.parlamento.pt)
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Caro Vítor,
Agradecemos o seu email, o qual lemos atentamente.
A questão que nos coloca tem como resposta a mesma justificação que já lhe foi fornecida. Os/As eleitos/as para cargos públicos não podem ser processados judicialmente por actos cujo julgamento é político. Portanto, as más decisões tem de ser julgadas democraticamente.
Outra coisa é o sistema de bipartidarismo informalmente instalado como aparente e única solução, as elites acomodadas e acorrentadas ao poder, a instrumentalização da opinião pública, a democracia representativa alienada ou o medo de tentar políticas alternativas – estes, entre outros, são os factores que precisam de ser revertidos no sentido de se proporcionar uma democracia plena e saudável, na qual os mesmos de sempre e os responsáveis pelos erros não sejam reeleitos.
Isto seria, pelo menos, um bom princípio.
Cordialmente,
P'lo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda,
Sofia Roque
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