[/caption]Proponho que se faça um exercício mental.
Imagine-se que os nossos governantes deixam as decisões redutoras tomadas tendo por base comparações com a média europeia, a imagem que querem passar de Portugal e os seu interesses próprios e passam a tomar medidas baseadas na razão, no que está certo, no melhor para o país.
Neste cenário, imagine-se como tema 'quente' a educação, em especial o ensino superior.
Como é sabido, nem todos podem ser 'doutores' e como tal, muito 'doutor' cai no desemprego ou em tarefas fora do âmbito da sua formação. Assim sendo, há que terminar com este flagelo! Se num horizonte de 3 a 6 anos não vão ser necessários mais profissionais qualificados, para quê formar mais gente? Mais! Para quê ensinar a juventude durante 12 anos se não é necessário gente com grande especialização? Não basta o terceiro ano para saber ler e escrever?
Neste belo e utópico país é seguida a orientação de qualificar apenas as pessoas necessárias, evitando-se assim desperdício de capital humano durante 15 anos de estudo e a concorrência com os já instalados, podendo estes continuar a produzir com mais tranquilidade.
Caindo na realidade, até porque o sonho comanda a vida mas não enche barriga, assistimos por um lado o governo a anunciar mais vagas para o ensino superior e a reduzir as bolsas de estudo e por outro organizações de profissionais a dizer que não se deveria formar mais gente porque não há lugar para todos. Isto leva-me a levantar algumas questões:
- Só estuda quem pode? Andar no ensino superior não é barato e não estou a falar de noitadas ou festas, o desporto do estudante, estou a falar de propinas mesmo.
- Será que classes elitistas e protegidas como os professores ou os juristas têm medo da concorrência? Será que têm medo de vir a ganhar menos por não serem tão escassos ou têm medo de ser substituídos por alguém mais competente?
Estas acabam por ser as questões principais que me atormentam com as recentes noticias sobre o tema.
Tinha a noção que uma pessoa saía da faculdade sem saber 'economistar', 'gerir', 'advogar' ou 'ensinar', mas saía da faculdade com cultura geral e garantia de se poder facilmente adaptar a qualquer tarefa. É assim tão grave ter um advogado e gerir uma empresa, um economista a ensinar português ou um gestor a dar aconselhamento jurídico? Não ficará Portugal um país melhor se a população for instruída?
Tinha uma professora que há uns anos me disse que “uma licenciatura era a arte de saber mais de cada vez menos”. Na altura achei um bom pregão, encaixava no que era vendido: tiras um curso, trabalhas nisso, ganhas dinheiro e vives bem. Mas passada a primavera da vida, os tempos académicos, nota-se que não é bem assim... Não se aprende a fazer na faculdade, aprende-se no máximo como se faz e o resto é cultura, é treino em aprender em adaptação.
Mas se calhar estou errado e as 'ordens' é que têm razão. Mais licenciados para quê?
"Não ficará Portugal um país melhor se a população for instruída?"
ResponderEliminarNão da forma sugerida.
Não desperdiçarei décadas da minha vida a estudar química para trabalhar como um operador de caixa, pois isso já eu sou - estudo para arranjar melhor, e tenho esse direito.
E AÍ É QUE ESTÁ! Eu SOU trabalhador, e os portugueses não querem é TRABALHAR! Não tem nada haver com formação académica, isso é um profundo disparate. Tive já vários colegas advogados a trabalhar mais de um ano naquele supermercado até que por fim acabaram os seus estágios ou encontraram um emprego na sua área. O importante é não parar, e obviamente, orientar os estudantes para escolhas profissionais com mais saídas, empreendedorismo, e alargar horizontes, pois o mundo é nosso!
Mas sim, a maioria dos meus colegas preferem comprar, não vender. Se é que me entende.
O problema está na casinha de cada um, nos valores que lhes ensinam. Não precisei que me mandassem trabalhar para eu ir, mas a minha mãe sempre me disse: se queres estudar ou ter as tuas coisas depois dos 18 vais trabalhar.