segunda-feira, 21 de junho de 2010

Estará o Comunismo à espreita?

[caption id="attachment_562" align="aligncenter" width="300" caption="Comunismo"]Comunismo[/caption]

Estes dias fui assistir a um debate / mini-conferência com o mote “Tendências, o que aí vem?”. Foi um final de dia bastante interessante.

Desse debate despertou-me especial atenção a parte das tendências económicas, de entre as quais está a tendência em aumentar a regulação estatal. Como foi dito por Filipe Garcia, os governantes sentem a situação a fugir do seu controlo e a tendência é regular, controlar. Longe vão os tempos de liberalismo económico onde a “mão invisível” formulada por Adam Smith (curiosamente apenas referida duas vezes em toda a sua obra, não se sabe porque ganhou tanta importância) controlava 'magicamente' os mercados...

Vou dar-me ao luxo de falar de “cór”, até porque tive um professor de história do pensamento económico que dizia haver um número infindável de erróneas interpretações dos pensadores económicos, simplesmente porque nunca se leu os textos originais (ou os mais próximos), ficando certos aspectos perdidos em traduções de traduções de traduções. [Hoje Google e Wikipédia não!]

Este aumento de regulação trouxe-me à memória Karl Marx, por muitos considerado o pai do Comunismo. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, Marx não eram um opositor do Capitalismo, nem o Comunismo se apresenta (leio Comunismo na definição do autor e não no comunismo de hoje em dia, que não mais é que um pseudo- socialismo) como um eterno rival ao actual sistema económico. O Comunismo, segundo Karl Marx, é um natural substituto do Capitalismo. Do mesmo modo que o sistema Feudal se esgotou e teve de ser substituído por um sistema adequado ao novo paradigma, também o Capitalismo se esgotará naturalmente, pela simples razão de que o mundo não suporta um crescimento exponencial continuo, há de ceder.

Tenho que realçar também que Comunismo não é o que se tentou fazer na Rússia e o que ainda se tenta fazer em Cuba, na China ou na Coreia do Norte, tendo mesmo sido dito em cartas trocadas entre Marx e Engel (salvo erro), que caso o 'comunismo' na Rússia resultasse, isso significava que Karl Marx estava errado, pois a existência de comunismo pressupões a existência prévia do Capitalismo, até ao esgotamento do sistema.

Hoje assistimos a uma recaída do poder do poder do Capitalismo enquanto paradigma económico, quer pelo desastre causado por 'bolhas económicas', quer pela aparente proximidade da capacidade da Terra em aguentar o actual crescimento (ambientalmente falando). A acompanhar esta situação, as nações recorrem à regulação para manter o controlo, afastando-se do papel meramente espectador e garante de bens/serviços que não sejam possíveis de rentabilizar com exploração privada.

Estaremos a viver uma aproximação ao Comunismo no seu significado original? Estará a chegar ao ponto de saturação do Capitalismo, surgindo um novo paradigma?

Vítor Silva



Espero ter despertado a curiosidade pelo tema, estimulando pesquisas para corroborar o que acabaram de ler!

2 comentários:

  1. O mundo muda quando menos esperamos.
    Mas no que respeita o nosso país, penso que ainda vamos dar muitas voltas entre o centro e a direita antes de alguma vez pararmos no comunismo.
    Sou sindicalizado, já participei nalgumas manifestações. Há um problema nos comunistas que conheci. São tão ou mais radicais que um ditador. Uma opinião diferente é alvo de uma careta, de um desprezo.
    Alem disso... Os lideres estão a envelhecer e não encontram sucessores que lhes agrade.
    Esta é a minha visão, mais do momento, do povo e menos teórica que o post. Mas seria muito bom haver uma reciclagem das ideias e das caras dos partidos, assim como mudanças.
    Já ansiamos mudança.

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  2. De notar que o intuito do post não é fazer propaganda a uma ideologia política ou fazer uma previsão do futuro, é simplesmente criar a discussão para pôr os leitores a pensar por perspectivas que, provavelmente, nunca tinham espreitado.

    Acaba por ser o mote do site, após um texto poder perguntar: "Já Pensaste?"

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