quinta-feira, 3 de junho de 2010

Consciência ambiental ou necessidade económica?

[caption id="attachment_555" align="aligncenter" width="300" caption="Carro eléctrico"]Carro eléctrico[/caption]

Muito se tem falado na 'revolução' que se avizinha com a chegada dos carros eléctricos.

Como se sabe, Portugal é um dos países de teste da plataforma logística necessária à circulação em massa de veículos eléctricos, uma escolha motivada pela tendência nacional em experimentar tudo que é novidade. Mas não é a perspectiva interna que quero realçar, mas sim a perspectiva mundial, até porque Portugal como pequena economia que é, não poderia incentivar tantas empresas multinacionais a investir em veículos desta natureza. Senão foi a iniciativa de um grupo de países a impulsionar o arranque da produção em massa destes transportes rodoviários, então o que foi?

A imagem que as construtoras querem passar é a de uma preocupação ambiental da sua cultura empresarial. Esta posição pode ser legitima, mas também pode ser um esverdeamento da marca (mais conhecido como 'greenwashing'), isto é, sabendo que os consumidores em geral se estão a tornar cada vez mais ambientalmente conscientes, uma empresa leva avante campanhas de marketing destinadas a convencer os (potenciais) consumidores da sua consciência ambiental, não a tendo na prática. Não sei se isto é verdade, pois para o afirmar era necessário elaborar um estudo nesse sentido.

Apesar de tudo posso especular :D

A verdade é que os primeiros carros eléctricos surgiram em inícios do século XX -li algures- mas foi o petróleo que falou mais alto. Nos EUA, já à muito tempo que circulam carros eléctricos, mas não podem se comprados, apenas alugados e mais tarde destruídos para perpetuar o negócio. Então o que mudou?

A crescente sensibilização ambiental é o motivo que mais se pretende passar, mas será assim? Será que se não houvesse a actual crise económica seria dado agora este salto na tecnologia dos transportes?

O que é certo é que um carro eléctrico é mais barato de manter em andamento (diz-se € 1,20 por 100 km), mas será mais ecológico, com querem passar as marcas?

Se por um lado um carro eléctrico não queima combustível para se mover, também o é que um parte significativa da energia eléctrica que se consome ainda é produzida através da queima de combustíveis. Será que estes novos veículos emitem menos poluição (contando com a produção de electricidade) que um veículo de combustão cada vez mais eficiente, como se vê hoje em dia (a baixo das 100 gramas de CO2)? Para além disso, a construção dos automóveis é essencialmente a mesma, continuando a existir plásticos, borrachas e todo um conjunto de peças produzidas com recurso ao petróleo, a matéria-prima que se encontra no centro da discussão.

Assim sendo, parece que os automóveis eléctricos estão em vias de entrarem no nosso quotidiano não pela satisfação de uma necessidade moral de proteger o ambiente, mas por uma necessidade económica.

Para proteger o ambiente o Homem tem de se convencer que não pode continuar a consumir como o faz actualmente. É tão simples quanto isto: não há capacidade para suportar a actual sociedade de consumo (rápido, fácil e descartável).

1 comentário:

  1. Pois... Meramente especulativo, como dito acima.
    Todos sabem que o petróleo falou mais alto que os combustíveis verdes - primeiro que o eléctrico ainda está o biodiesel, colocado em hipótese por Rudolf Diesel, mas obviamente o petróleo era muito mais rentável, e como humanos e óbvios que somos, a ganancia falou mais alto.

    E continua a falar. Continua a haver muito "fogo de vista", muito contemplamento pelo que se faz e poucos fazeres: note-se os quadros electrónicos a mostrar a todos os clientes de uma loja os kW produzidos pelas células fotovoltaicas, etc...

    O carro eléctrico existe antes de eu ter nascido, mas não tão desenvolvido que hoje: não por necessidade ambiental, mas sim porque é o que o público agora quer, é o que lhe foi incutido por "aqueles lunáticos verdes que vandalizam barcos e se acorrentam a fábricas que nem uns loucos" aka GreenPeace.

    Agora o meu ponto de vista quanto ao ambiente, e à terra: não interessa quantos animais até hoje foram extintos, não interessa o "mal" que fizemos nos ciclos de carbono e na quantidade de polímeros que deitámos ao mar. O nosso destino está traçado, é simples, só estamos a fazer mal a nós próprios. Se desaparecermos por falta de condições ambientais, haverá sempre vida na terra.

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