[/caption]Estes dias o exército português levou avante um simulacro para testar a sua capacidade de resposta a uma catástrofe natural, como por exemplo um sismo devastador em Lisboa (o que está premonizado à séculos). A boa noticia é que tudo correu bem e o exército garante que está preparado para actuar em caso de catástrofe. Mas como nada é perfeito - nem sequer o novo chefe laranja que prometia muito mas já se revelou como os outros, com muita sede de poder - uma alta patente do exército português disse, em jeito de desabafo, que é uma pena ainda não terem sido comprados os helicópteros prometidos, ajuda preciosa em caso de necessidade de intervenção urgente.
Discutir se Portugal, neste momento, deveria gastar meios para adquirir novos helicópteros não foi o que me levou a escrever esta crónica, pois isso levaria novamente a ponderar se Portugal necessita - para não falar na viabilidade económica - de novas auto-estradas, aeroporto ou TGV. O que me leva a escrever hoje é a capacidade de o português se 'mexer' quando está perante um potencial desastre.
Ontem a AAAFEP (Associação de Antigos Alunos da Faculdade de Economia do Porto) fez 25 anos e para comemorar, organizou na FEP um almoço convívio precedido de alguns discursos de economistas de relevo, entre eles o nosso ministro das finanças, o Prof. Dr. Teixeira dos Santos e o novo/futuro governador do Banco de Portugal, Dr. Carlos Costa (sentado ao lado do irmão, o Prof. Dr. José Costa, director da FEP). Aparte do que foi partilhado pelos oradores, um episódio mereceu a minha especial atenção: a meio da sessão, começa a tocar um alarme de incêndio na faculdade. E qual foi a reacção dos presentes? Levantaram-se calmamente e saíram para o parque de estacionamento no exterior do edifício? Claro que não! Tudo continuou normalmente. Minto! Um professor pediu para se fechasse a porta do Salão Nobre, o barulho estava a incomodar... Contra mim falo, pois também nada fiz naquele momento, talvez a solida construção de betão, muitas janelas e pouco material inflamável incorporado na estrutura do edifício me tenha tranquilizado o subconsciente, não sei...
Apesar de tudo, será normal perante uma potencial ameaça que nada seja feito? Será característico dos elitistas financeiros portugueses? Não me parece. Olhando para o exterior, notamos que o mundo está cheio de avisos de potencial desastre e nada é feito. Porquê? Será o ser Humano suicida que não se precaveja do perigo? Os animais são os primeiros a fugir em caso de perigo eminente, sabias? Terá o homem vergonha da reacção do Homem se fizer alguma coisa?
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