quarta-feira, 3 de março de 2010

Uma vez disse-me um amigo...

[caption id="attachment_488" align="aligncenter" width="300" caption="Intervenção"]Intervenção[/caption]

Aqui à tempos, por alturas das eleições, anda eu a "fazer campanha" pelo voto nulo. Como já referi anteriormente, neste blog inclusive,essa minha posição deve-se à escassez de opções políticas credíveis, isto é, políticos decentes, que defendam o interesse do país ao invés do seu próprio bolso. Acredito que não serão todos assim, mas infelizmente, pelo menos os que estão em posições de relevo, não demonstram profissionalismo do desempenho da sua profissão. Profissão sim! Vamo-nos deixar de utopias e ser reais: a política é uma profissão e não uma honra em servir o pais. Se um empresário tem com objectivo o lucro, o político devia ter o objectivo de melhorar o país, não para ele, mas para todos.
Por essa altura um amigo disse-me: "estas em boa idade e formação para fazer alguma coisa". Aquela frase atingiu-me de uma forma que não fiquei em condições de responder! Enfim, é verdade... De que adianta continuar com postura, muito tuga, de comodismo, derrotismo e outro tipo de -ismos sempre com o mesmo desfeixo: não mudar/fazer nada? Tal como foi dito pelos Gato Fedorento num sketch imortal: "ele falam, falam, falam mas não dizem nada".
Depois desta bala abalar toda a minha moral para (simplesmente) criticar, decidir ser mais interventivo na sociedade. Começando por este blog, já que a informação é o bem mais valioso da actualidade, tentei pôr as pessoas a pensar por si.
Estes dias entrei numa nova fase: Assembleias Municipais.
Agora que já não permitem que assista/participe nas AGAs da minha faculdade, comecei a assistir às Assembleias Municipais do meu município, tendo como objectivo a informação. Informação sobre situações, casos e formas de estar/agir. Gostei da experiência, apesar de reforçar o que pensava antes: gosto de política, só não gosto como se pratica política. Além disso, fiquei com a noção que uma Assembleia Geral de Alunos da FEP é mais séria que uma Assembleia Municipal da Maia! E eu a pensar que andava numa "brincadeira" da estudantada...
Mas voltando ao mote deste texto, pequenos gestos fazem a diferença e uma pessoa não se pode limitar a dizer ou pensar que o mundo está mal e que nunca vai mudar. Podem pensar que é uma visão utópica de um jovem que pensa que pode mudar o mundo. É justo, mas já pensaste se fosses tu esse jovem e conseguisse cativar os teus amigos e eles os amigos deles e eles...
Podia o mundo ser uma utopia?

1 comentário:

  1. Utopia... Por que não começar por aí? Segundo o dicionário online da Priberam, a definição de utopia é a seguinte: País imaginário em que tudo está organizado de uma forma superior; sistema ou plano que parece irrealizável; fantasia. A própria questão remete-nos para um paradoxo: tal nunca pode existir (infelizmente).

    Podemos imaginar a sociedade, não como um ponto num gráfico cartesiano, mas sim como uma assímptota que se (deveria) aproximar de uma sociedade verdadeiramente democrática e incorruptível. E porquê tal função matemática? Por muito que se tente alcançar uma sociedade em pleno funcionamento e organização onde a profissão política é levada a sério tendo em conta o seu verdadeiro significado, tal não é possível devido a questões talvez mais profundas que o origem cultural, mas de natureza humana.

    Termino com uma frase dedicada ao Já Pensaste que se quiseres podes adoptar como máxima deste espaço informativo:

    "Só é possível corrigir os homens fazendo-os ver-se tais como são." - Pierre Beaumarchais

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