sábado, 27 de março de 2010

Esperanto, a língua universal

[caption id="attachment_510" align="aligncenter" width="300" caption="Esperanto"]Esperanto[/caption]

Longe vai o tempo em que tomei conhecimento pela primeira vez do Esperanto.

Corria o ano de 2003 ou 2004 - já não sei precisar - e participava eu no programa Assembleia Escola. Este programa leva jovens do ensino secundário ao parlamento para serem deputados por um dia, pretendendo desenvolver nos jovens um sentido de participação e levando também a que Assembleia da Republica tome conhecimento de algumas recomendações elaboradas por jovens, uma nova perspectiva.

Nessa edição (se não me engano, o que é possível), deixar uma recomendação para o apoio do nosso país ao Esperanto era um dos temas preparados pela minha escola. Infelizmente, este assunto não foi aprovado na reunião dos jovens deputados da região do Porto. E eu não tive noção do que era realmente o Esperanto...

Recentemente, estava eu a ouvir rádio quando escuto um filósofo a discursar e de repente começa a falar no Esperanto. Aí a minha atenção despertou, já tinha ouvido aquela palavra! Ao que parece, o Esperanto é mais que uma língua, é uma língua universal.

Já Pensaste porque razão, para entender muito do que se passa 'lá fora', tem uma pessoa (quase que obrigatoriamente) perceber inglês? Porque razão é o inglês a 'língua internacional' e não o português, romeno ou o holandês? O motivo é fácil: aglutinação cultural. Actualmente os EUA 'dominam' o mundo, o que se reflecte também numa expansão cultural. Mas nem sempre foi assim...

Em tempos longínquos, já foram o grego, o latim, o português e o espanhol as línguas do mundo - cada qual no seu tempo, claro - e no futuro já se especula se será o mandarim! A ver vamos... Mas o que importa realçar é que tem havido sempre uma língua que domina no planeta, isto porque a sua cultura mãe tem uma posição de destaque.

Agora lanço a questão: será justo haver uma cultura a sobrepor-se a outras? Não teremos o direito de preservar a nossa identidade cultural?

Aqui entra o Esperanto em acção. Esta língua foi criada e planeada para ser de fácil aprendizagem e um elo de ligação entre os povos.

Em 1887, Ludwik Lejzer Zamenhof publicou a primeira obra sobre esta língua por si desenvolvida, no livro intitulado Lingvo universala. Ludwik Lejzer Zamenhof vivia em Białystok, na altura pertencia ao Império Russo (actualmente e na Polónia), uma zona repleta de diferentes povos, que comunicavam com línguas distintas. Este foi provavelmente o primeiro estímulo que potenciou a criação do Esperanto, uma língua universal.

Ao contrário do que pensaram os grandes ditadores do século XX, o Esperanto não pretende substituir todas as línguas do planeta, mas sim funcionar como um meio de comunicação internacional, uma ponte entre culturas. Cada região/país deve, e tem toda a legitimidade para, perpetuar e defender a sua identidade cultural, funcionando este dialecto como a ponte entre as nações, a forma de comunicação neutra entre os povos.

Ao ser-nos imposta uma língua, é-nos também imposta uma cultura que, em muitos casos, se sobrepõe à cultura nativa. Quem é que diz 'descarregar um ficheiro da rede de informação global'? Quem é que não diz 'ok'? Quem nunca 'googlou' nada? Será que é assim tão positivo globalizar costumes perdendo identidade cultural? Hoje é assim, mas daqui a vinte anos será o mesmo mas em mandarim...

O mais interessante é que o Esperanto não é uma língua morta! Está viva em milhões de pessoas por esse planeta fora, pessoas de diferentes nações, locais e culturas que se compreendem e comunicam em ambiente neutro.

Eu gostei da ideia e até sou capaz de (pelo menos tentar) aprender esta língua do mundo. Depois de ter umas noções de romeno (um intermédio entre espanhol/italiano e russo), o Esperanto não parece assim tão complicado!

Com uma pequena pesquisa na Internet, comprova se não é interessante. E imagina, como te sentirás quando (por exemplo) um espanhol te pedir indicações, em Portugal, mas numa língua neutra e não em espanhol...

1 comentário:

  1. Muito interessante,..

    Existe tb a situação não menos importante ligada à submissão de certas minorias que viram a sua lingua ou cultura desaparecer, em virtude do dominio cultural de quem os oprime.

    Imagino eu que: falar na lingua do opressor deve ser tão frustrante como rico em determinados recursos estilisticos.

    Não fosse eu tão incultito da silva e lembrar-me-ia do nome de uma escritora cuja obra exemplifica tudo o que acabei de falar acima. Enfim, vou deixar-vos descobrir.. :)

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