domingo, 31 de janeiro de 2010

Vampiros


Vampiro, entre nocturno com poderes de sedução, força sobre-humana e alimentação à base de sangue, preferencialmente humano.


Venho hoje, no presente manifesto, apresentar o meu apoio a esta classe de seres não-mortos que, ultimamente têm visto a sua reputação cabalmente arruinada. A sua reputação está em risco, estando a ser transformada de galãs poderosos e sanguinários em entes centenários com depressões pré-adolescentes e com crises de identidade.


Como é sabido, no inicio era o verbo, mas a reputação tradicional dos sugadores de pescoços (logo, o Marco Horácio safa-se) começou a sua queda à apenas uns anos atrás. Inicialmente a Buffy, a Caçadora de Vampiros, para além de girinha, era muito boa na ancestral arte da chacina de monstros. O problema é que conheceu um vampiro piegas, com alma e tudo, e apartir daí foi sempre a piorar: o Angel (curioso nome para um vampiro) arranjou uma série em que era protagonista e aí, salvava pessoas de monstros, isto numa agência de advogacia...


No entanto, a diminuição do medo de vampiros foi mais acentuada na época de crise que vivemos! Dizem que em épocas conturbadas as pessoas agarram-se a qualquer coisa e como a igreja já estava na mó de baixo, foram os vampiros...


Esta saga do Crepúsculo, para além de ridícula por ter vampiros que não matam ninguém(“vegetarianos”), tem vampiros que andam à luz do dia! Mas atenção, só em dias fraquinhos como os de Inglaterra, onde a as pessoas ficam tão claras como aqueles peixes que vivem nas grutas subterrâneas. Isto já era mau com toda a propaganda, os filmes a estrear em terra lusitana e com anúncios na net, mas bateu no fundo quando a industria televisiva nacional deu o seu próprio pontapé na reputação dos vampiros.


Na semana passada, a TVI estreou a sua serie dedicada à temática e diga-se de passagem, o argumento deixa muito a desejar. Os vampiros têm centenas de anos, cara de putos, vão para a escola, apaixonam-se e uma delas anda à luz do dia por “erro genético”.


Já a série da SIC, estreou com uma semana de atraso, mas tem pontos a seu favor: apesar de ter vampiros no 12º anos quando já deviam andar a descontar à uns séculos valentes, começa logo com um vampiricidio, o que me agradou! Isto significa que os vampiros nesta série, são uma ameaça aos pescoços alheios e há justiceiros destemidos e de capuz a combater estas bestas mitológicas, com correntes e estacas de madeira. Talvez mais para a frente descubram que se modificarem caçadeiras podem ser mais eficientes, mas cada coisa a seu tempo.


Concluído, meninos e principalmente donzelas, vampiro não significa gajo giro, sensível e musculado (ou talvez o musculado seja só para o lobisomens, não sei), mas sim, significa mau! Sanguinário, implacável e mau! Por isso, quando virem um marmanjo a dizer algo do género “vou-te chupar esse pescoço”, fujam a gritar por socorro. Pode ser que o Blade esteja por perto.


Para terminar gostava de notar que, tal com as bruxas ou políticos honestos, não acredito em vampiros, mas respeito! Agora o que eu já vi uma vez, e citando o sapiente Bruno Aleixo, foi um travesti.

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