quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Portugal, uma nação, muitos preconceitos

[caption id="attachment_414" align="aligncenter" width="300" caption="Preconceito"]Preconceito[/caption]

Levanto-me de manhã e arranjo-me para seguir rumo a mais um dia de trabalho. Saio aconchegado no carro temperado e a tentar desembaciar os vidros que espelham o frio que se faz sentir. Dizem que é uma vaga de frio siberiana, não sei. Mas que está frio, está. Na curta distância que separa a minha casa do parque da estação do comboio par0 duas vezes: uma nos semáforos, onde ainda resiste o velho ardina, até nas manhãs mais rigorosas e numa passadeira onde atravessa um chinês dono de uma loja entre um mini-mercado e uma padaria. Tudo corre de feição e chego antes da hora de partida do transporte que me acolhe, sem filas, sem fumo, sem chatices. Tal como eu, muita gente escolhe este meio de transporte, quer por razões económicas, quer por comodidade. Antes de embarcar há ainda tempo para comprar uma companhia para as viagens da semana: uma revista. Mas daquelas com conteúdo! Se quisesse ler algo levezinho lia os jornais grátis! Entro na papelaria da estação e logo depois de um senhor com uns óculos tão grossos como eu poucas vezes vi, adquiro o exemplar que me vai entreter esta semana. Sigo para a escadaria que dá acesso ao terminal. Pelo caminho, qual não é o meu espanto quando vejo um gajo que já não vi aos anos! Costumava dar-me muito bem com ele e o engraçado é que em vez do cabelo rapado que costumava ter,hoje ostenta uma grande cabeleira cheia de rastas e um estilo muito descontraído, enquanto eu sou mais um engravatado, formatado pelas formalidades culturais dos empregos de colarinho branco. Entro na carruagem já cheia de gente madrugadora, ajudo uma senhora já com a marca dos anos bem gravada na face e deixo-a seguir o seu caminho, que felizmente não foi longo, pois um jovem lhe cedeu prontamente um lugar onde pudesse descansar durante o tranquilo trajecto. Acho sempre engraçado quando me deparo com os "Helderes" no comboio, vocês sabem, os testemunhas de Jeová! Mas adiante, o comboio vai cheio: há gente a jogar cartas, outros a ler, há quem fale de futebol e também dos mexericos do dia. É uma salgalhada! Na penúltima paragem antes da minha saída dou, eu e os passageiros que me circundam, um jeitinho para que caiba mais gente. Entre uma senhora com a sua filha pela mão a despedir-se de (suponho eu ser o seu marido) um individuo escanzelado com traços árabes. Chega finalmente a minha vez de sair, a minha e de mais de meia carruagem. Sigo em direcção às escadas rolantes onde não me intrometo e deixo casal que vai à minha frente continuar a passada de mão dada. Dois senhores de meia idade a sorrir e a conversar caminho fora. Sigo o meu caminho  e vou lendo a minha revista...

Afinal nada disto se passou, curioso... Estava a dormir em pé no comboio a ler a minha revista onde vejo uma noticia, no mínimo bizarra: o PSD vai dar liberdade de voto aos seus deputados na votação sobre o casamento gay! Mas não havia liberdade antes?? Ah! Pois... É o voto e bloco, certo? É aquela jogada que dá para fazer votações com metade da assembleia a "representar" o país nas praias do Algarve... Viro a página e surge novamente o PSD! Desta vez querem acabar com a ideia de casamento homossexual e passar a votar uma proposta com uma cena do tipo "união de facto com pessoa do mesmo género". Qual é a diferença para além das palavras?? Ficar bem na foto com os padres deste país que pecam várias vezes, por pensamento, quando discursam na missa sobre o casamento gay? Mas Portugal não é um país laico?

O importante é que já se ultrapassou vários dos preconceitos que falei neste texto e agora é a vez da homossexualidade. Como já discuti, a homossexualidade é hoje com eram os pretos à 20 anos atrás: um preconceito que será ultrapassado.

Antes que alguém comece a implicar por estar a dizer "pretos", tem que se chamar as coisas pelos nomes e há pessoas pretas, brancas, castanhas, amarelas, beje, ... Dizer "de raça negra" ou "asiáticos" ou outra qualquer expressão que mostra medo de ofender, isso sim é racismo! Somos todos diferente e todos iguais, qual é o problema de chamar as coisas pelos nomes?

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