terça-feira, 14 de julho de 2009

Excesso de licenciados?

[caption id="attachment_115" align="aligncenter" width="400" caption="Licenciados"]Licenciados[/caption]

Estive a ler o artigo do Professor Pedro Adão e Silva no Diário Económico e gostaria de expor uma outra perspectiva.

No artigo é colocada a questão apresentada no título deste texto: "excesso de licenciados?". A pertinência da interrogativa recorre da existência de um elevado número de licenciados desempregados, no entanto o autor do artigo refere que não há esse excesso e que os licenciados são melhores profissionais (no geral) que pessoas com menor grau de ensino.

Expondo agora a minha opinião, concordo com o Professor pois, em princípio, uma pessoa com mais formação estará mais apta a desenvolver uma actividade quando comparada com uma pessoa com menos estudos por diversas razões: facilidade com línguas estrangeiras, planeamento de actividades, ... Apesar de uma antiga professora minha me ter dito que "uma licenciatura é a arte de saber cada vez mais de cada vez menos". No artigo também é referido que existe sim um défice de qualidade em Portugal, o que também me parece uma hipótese viável.

É no entanto aqui que reside o problema, a meu ver. Portugal, com o desenrolar do tempo, assumiu uma posição mista entre qualidade e quantidade e o resultado é a desvalorização da licenciatura e, ao mesmo tempo, a expectativa do licenciado em obter uma garantia de emprego, não trabalho mas emprego. Parece-me muito difícil conjugar as duas (pelo menos para já): quantidade e qualidade.

Visto isto, apresenta-se como lógica a escolha de um dos caminhos:

- qualidade: reduzem-se as vagas e apenas entra quem conseguir atingir determinados mínimo, ou seja, não seria uma redução simples de vagas, mas existiriam patamares mínimos também. Não esquecendo os apoios para os mais desfavorecidos de modo a existir igualdade de acesso. Desta forma a comunidade académica em Portugal voltaria a ter o reconhecimento que teve no passado;

- quantidade: o acesso ao ensino superior massifica-se. Isto implica que a médio prazo Portugal iria ficar com mão-de-obra mais qualificada. Mas existe uma outra questão, que já surge com o alargamento da escolaridade para o 12º anos: como vão as famílias, em especial as mais pobres "manter" os filhos a estudar até aos 21 anos? O Estado apoiaria? As propinas seriam reduzidas ou até mesmo desapareceriam? Surgiria uma cultura como em Inglaterra, em que os estudantes universitários têm um emprego a tempo parcial para financiar os estudos? Isso seria viável no nosso mercado?

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