domingo, 14 de junho de 2009

Internet e direitos de autor

Soube-se recentemente que o nosso ministro da cultura (salvo erro) não assinou um acordo a nível europeu que visava o corte sem aviso do serviço de Internet de um utilizador que, pela terceira vez, descarregasse conteúdos que deveria ter pago, como músicas, filmes, livros, ... A polémica gerou-se na hora.

O meu objectivo com este post é deixar a questão em aberto expondo os dois lados do problema. Deixo conclusões para cada um dos leitores.

Vou focar o caso da industria musical por ser a vertente mais discutida, mas as questões podem, na maioria dos casos, ser facilmente adaptadas a outros produtos.

Por um lado temos os artistas injustiçados por ver o seu trabalho a ser usado sem poderem tirar partido dele, é como se tivessem estado a "trabalhar para aquecer". Toda a gente tem o direito de ver remunerado o seu trabalho e, para além disso, há custos com a produção que têm que ser amortizados. Esta onda de partilha de conteúdos que não forneceram uma contra-partida aos seus autores pode levar a que se percam muitos bons artistas porque vão ficando sem apoios (de editoras por exemplo) o que leva a uma perda de qualidade em mais uma industria em Portugal, a industria musical, literária, ...

Por outro lado, temos os novos tempos que trazem novas formas de comunicação e divulgação. Com a difusão do trabalho na Internet podem surgir mais fácilmente novos artistas e estes podem utilizar as novas tecnologias para divulgar o seu trabalho e promover actividades onde podem ter o retorno económico que merecem (como espectáculos ao vivo), o que pode ser feito também pelos artistas já reputados. Este mecanismo pode servir como meio para elevar a qualidade musical do nosso país porque os consumidores experimentam antes de apoiar, o que leva a que apoiem apenas o que é bom.

Temos dois cenários com pontos fortes e fracos que fornecem dois caminhos plausíveis para os mesmos "jogadores". A pouco e pouco parece que o mundo se adapta a uma integração da Internet no comércio de produtos artísticos e ao mesmo tempo surgem cada vez mais barreiras a esta mudança. O mundo está indeciso e dividido quanto a esta questão.

E tu? Já tens opinião formada?

1 comentário:

  1. A minha opinião é que o mercado tradicional está perto da ruína.

    No sentido em que, ninguém anda com um leitor de cds no dia-a-dia, nem sequer quem tem cd no carro. Hoje a palavra que reina é o mp3, os youtubes, e se os artistas ou por lado, não vão buscar dinheiro aos concertos que dão, ou rentabilizando edições limitadas e portanto mais personalizáveis, teem que saber criar outro tipo de negócio.
    E em breve os próprios CD´s, serão edições limitadas, para um tipo de Hardcore fans ou para sucessos do momento.

    Por exemplo, os jogos F2P (Free-to-play) onde o jogador pode jogar o jogo livremente, mas se quiser extras que lhe deem vantagem ou mais opções de jogo, paga, e acreditem, são muitos os que pagam.

    Resumindo, só não vende, quem não se adapta.

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